No Flutuar da Vaidade
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada!...
Florbela Espanca
Fausto fala a Mefistófeles - Goethe
na posse do que o mundo alcunha gozos.
O que preciso e quero é atordoar-me.
Quero a embriaguez de incomportáveis dores,
a volúpia do ódio, o arroubamento
das sumas aflições. Estou curado
das sedes do saber; de ora em diante
às dores todas escancaro nesta alma.
As sensações da espécie humana em peso,
quero-as eu dentro de mim; seus bens, seus males
mais atrozes, mais íntimos, se entranhem
aqui onde à vontade a mente minha
os abrace, os tateie; assim me torno
eu próprio a humanidade; e se ela ao cabo perdida for, me perderei com ela. [...]
Pelo poder da verdade, eu, enquanto viver, conquistarei o mundo.
(1765-75) Fausto - Goethe
Natureza em Sade
Filosofia na Alcova - Marques de Sade
Muito da concepção que se tem por "sadismo" no popular, é estritamente obsoleta e defasada. É um termo somente para designar um fetiche sexual, mas não a proposta de Sade em si, que além de ser ao contrario do que a prática (sadismo = prazer pela dor do outro) hoje diz, vai muito mais além com o conceito de libertino/libertinagem. Seria mais ou menos o avesso de Rousseau, que a natureza não esta ao nosso favor e sim contra, e que o individuo só alcança a maturidade se abstendo/antecipando, da/para a dor, por ela (natureza) causada, isso sem entrar na parte critica politica (França, 1700 e la vai fumaça). Existem muitos pontos e contrapontos no filosofia libertina de Sade, que por mim, não vale atenuar pois só lendo para tirar conclusões próprias.
Mas da parte em que designei "suja" do livro, a mim, pareceu mais com uma grande sátira, uma afronta proposital e um desafio empregado para se entender a filosofia libertina! Em suma, é um excelente livro, principalmente para expandir a mente, e se ver de fronte com seus reais pudores e preconceitos.
Artur César
Muito da concepção que se tem por "sadismo" no popular, é estritamente obsoleta e defasada. É um termo somente para designar um fetiche sexual, mas não a proposta de Sade em si, que além de ser ao contrario do que a prática (sadismo = prazer pela dor do outro) hoje diz, vai muito mais além com o conceito de libertino/libertinagem. Seria mais ou menos o avesso de Rousseau, que a natureza não esta ao nosso favor e sim contra, e que o individuo só alcança a maturidade se abstendo/antecipando, da/para a dor, por ela (natureza) causada, isso sem entrar na parte critica politica (França, 1700 e la vai fumaça). Existem muitos pontos e contrapontos no filosofia libertina de Sade, que por mim, não vale atenuar pois só lendo para tirar conclusões próprias.Mas da parte em que designei "suja" do livro, a mim, pareceu mais com uma grande sátira, uma afronta proposital e um desafio empregado para se entender a filosofia libertina! Em suma, é um excelente livro, principalmente para expandir a mente, e se ver de fronte com seus reais pudores e preconceitos.
Artur César
Partido das Luzes
Voltaire clama a vitória do Partido das Luzes:
"Essa razão que tanto perseguimos avança todos os dias [...] Os jovens se formam, e aqueles que são destinados aos lugares mais elevados desfazem-se dos infames preconceitos que avaliam uma nação. Sempre haverá um grande número de tolos, e uma boa multidão de patifes. Mas os pensadores, mesmo em número pequeno, serão respeitados [...] Esteja certo de que tão logo as pessoas de bem se unam, nada mais poderá detê-las. É do interesse do rei, e do Estado, que os filósofos governem a sociedade... Chegou o tempo em que homens como você devem triunfar [...] Afinal, nosso partido já vence o deles em matéria de boa educação. "

Carta a Helvétius, em 15/09/1763
Verdade e Poder (em Foucault)
"A verdade é deste mundo; ela é produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua 'política geral' de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção de verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro "M. Foucault em : Microfísica do Poder; Verdade e Poder
Mais que na reflexão de sociedade, na Verdade e Poder ditada por Foucault, podemos interiorizar individualmente essa "formula", alterando a palavra 'sociedade' por 'cada um de nós'. O auto conhecimento da verdade em si como cidadão, como ser, é fundamental perante ao entendimento do poder que se tem por si só, logo mais adiante em conjunto com a massa, onde os contrapontos serão ínfimos, e as afinidades tenderão a caminhar pelo bem comum e geral, a progressão individual e em conjunto acontecerá simultaneamente. Verdade e Poder, tem que ter causa, razão e entendimento em cada um, onde cada ser integrante da sociedade, é a extensão do seu próximo.
Implementos necessários.
Artur César
09/10/2013
O Pêndulo Schopenhaueriano
A vida entre a dor e o Tédio
"Vimos na natureza destituída de conhecimento que a essência íntima dela é um esforço interminável, sem fim, sem repouso, o que nos aparece muito mais distintamente na consideração do animal e do homem. Querer e esforçar-se são sua única essência, comparável a uma sede insaciável. A base de todo querer, entretanto, é a necessidade, carência, logo, sofrimento, ao qual consequentemente o homem está destinado originalmente pelo seu ser. Quando lhe falta o objeto do querer, retirado pela rápida e fácil satisfação, assaltam-lhe vazio e tédio aterradores, isto é, seu ser e sua própria existência se tornam um fardo insuportável. Sua vida, portanto, oscila como um pêndulo, para aqui e para acolá, entre dor e o tédio, os quais em realidade são seus componentes básicos. Isso também foi exposto de maneira bastante singular quando se disse que, após o homem ter posto todo sofrimento e tormento no inferno, nada restou para o céu senão o tédio."

Arthur Schopenhauer, em : O Mundo Como Vontade e Representação
Surge a ideia do "pêndulo", a vida humana é um pêndulo entre o desejo, o sofrimento e o tédio.
Implementos da existência
Alice e o Gato de Cheshire
"- Poderia dizer-me, por favor, que caminho hei-de tomar para sair daqui?
- Isso depende de onde queres chegar! - Disse o Gato.
- Não interessa muito para onde vou... - retorquiu Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que você escolha - interpôs o Gato.
- Desde que chegue a algum lado! -Acrescentou Alice, fazendo não se importar muito com a explicação!"
Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
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